Não faz mal a ninguém

7 10 2009

Mas ora vejam como é vida… Às 17h30 senti no escritório vontade de comer….. CANJA. Isso mesmo: não era Cheddar do Mc Donalds, não era costela do Outback, não era chocolate, nada disso. Era canja mesmo. Aquele caldo insoso com pedaços de frango, arroz e batata.Juro que se me oferecessem pizza recusaria pela canja. Caraca… Saí do trabalho às 18h em ponto e passei no Kilograma de Botafogo que tem sopa do dia a R$ 8, podendo comer à vontade. Adivinha qual é a sopa do dia: canja, claro. Comi três potinhos feliz da vida com pimenta. Já acabei de comer e continuo aqui. Coisa feia…. A conversa da mesa ao lado está muito interessante. Bem, vou sair porque uma senhorinha sentou-se à minha frente sem pedir licença… Acho que estou ocupando lugar à toa.Bom senso e canja de galinha não fazem mal a ninguém.





Evolução

7 10 2009

No olhar do outro o reflexo
No meu estômago o refluxo
No meu íntimo resisto
No desespero reflito
No dia seguinte refaço
No mesmo instante repenso
Na marra reconheço
Na luz resignifico
Na certa é um recomeço





“Yes you can”

4 10 2009

Meu passaporte chegou antes do previsto. Consegui o visto de 5 anos de negócios e de turismo. Foi até tranquilo. Em menos de 1 hora estava tudo resolvido. Me perguntaram o motivo da viagem, minha profissão, meu salário, se conheço a Europa e quais países. Oh, que maravilha… Sou uma pessoa apta a entrar no país deles. Não sei se devo me sentir lisonjeada. Sinceramente. Acho meio humilhante esse processo… Não quis ir à Disney aos 15 anos, mas agora não vejo a hora de conhecer o Vale do Silício. E o melhor: para estudar Inovação!! Estou empolgada com a viagem. Coincidência ou não, amigos de infância estarão em Nova York no mesmo período que eu e comemoraremos juntos meu aniverário na cidade. Detalhe: minha estada em Nova York será sem compromisso! Ficarei lá por uns dias entre o módulo de Berkeley e o de Ohio. Melhor impossível. Espero que dê tudo certo.





Que orgulho!

4 10 2009

Eu estava no Porcão Rio’s (com certo ar saudosista, já que vai fechar) com quase toda a empresa reunida quando soube que o Rio de Janeiro foi escolhido para sediar as Olimpíadas de 2016. Confesso que chorei. Me emocionei com o vídeo exibido, com o choro do Lula, com a imagem do povo celebrando em Copacabana. Sempre choro com essas coisas… Na verdade, chorei, gritei, comemorei com os braços levantados, aplaudindo com os colegas não menos felizes diante do telão do restaurante. Saímos saciados e orgulhosos. Antes de entrar no taxi, dei uma olhadinha rápida para o Pão de Açúcar e coloquei os óculos escuros logo para ninguém perceber que me emocionei novamente com a beleza da cidade. Sou boba mesmo. Sinto que estou onde eu deveria estar. Sinto a cada dia o privilégio de morar na cidade mais bonita do mundo.





Opinião sobre “Viver sem tempos mortos”

4 10 2009

Uma calça preta, uma camisa branca e uma cadeira num palco vazio não seriam suficientes para manter uma platéia atenta e atônita por uma hora (ou seriam 10 minutos?) não fossem “preenchidas” por uma Fernanda Montenegro intensa e fabulosa interpretando a não menos intensa e fabulosa Simone de Beauvoir. Desde que me dei alta da terapia existencialista simplesmente por que “não fazia mais sentido”, não tenho me debruçado sobre essas profundas questões sartre-beauvoirianas. Foi uma delícia. Estou vivendo sem tempos mortos. Estou inteira. Estou plena no meu “desamparo”. Estou vivendo com toda a consequência. Sartre ficaria orgulhoso de mim. rs





O sol nasce para todos

27 09 2009

Acordei neste domingo com vontade de ver este sol lindo que resolveu aparecer. Pensei em ir comer as Iscas em Revista (peixe com molho de mostarda e mel) do quiosque Copacabana, perto do Posto 4. Não iria mesmo tomar sol, nem mergulhar nesse mar agitado e gelado do Rio… Saí ensoladara de biquini amarelo de fitinha rosa-choque, vestidinho amarelo, bolsa de pano beterraba, óculos escuros, havaianas douradas, rabo de cavalo e pausa na farmácia para comprar o filtro solar (Helioblock 40 da La Roche Posay – recomendo!) que acabou. 

Peguei o metrô e me lembrei logo por que  ir à praia em Copacabana me irrita. Comprei uma revista na banca de jornal e andei pelo famoso calçadão procurando o tal quiosque. Durante a 1 hora que permaneci na praia (digo, no calçadão)…

…  idosos aglomeravam-se em frente às barraquinhas montadas pela Defesa Civil em campanha anti-queda pensada especialmente para eles. Um senhor de braço engessado cantava animadamente e duas velhinhas sambavam…

… bombeiros e policiais militares reivindicavam melhores salários numa manifestação gigante com direito a faixas e trio elétrico. “Você arriscaria sua vida ganhando R$ 900?”…

… bolivianos tocavam sua música típica de um lado e terapeutas faziam massagem relaxante do outro…

… um casal de estrangeiros tirou foto em frente a uma escultura de areia e se surpreendeu quando o artista veio cobrar…

… um grupo de pagode veio tocar próximo à minha mesa no quiosque e me pediu dinheiro em inglês…

… recebi uma cantada em carioquês andando no calçadão (uau! voltei a receber cantada de biquini rsrs)…

… descobri na revista que existe um spray para inibir a vontade de comer doce…

… um helicóptero resgatou uma pessoa que se afogava no mar…

… uma menina me disse que estava com fome e pediu para pegar uma isca de peixe minutos depois de eu ter olhado com pesar metade da deliciosa porção intocada na travessa.

Esta última cena, sem dúvida, foi melhor do que a cantada.  Disse a ela: “pode comer à vontade. Já estou satisfeita. Coloque o molhinho que fica ótimo.” Ela pegou um pedaço meio tímida, comeu mais um, mais outro (enquanto eu lia a revista) , depois já passou no molho e gostou, pegou o potinho de molho e raspou até o fim, depois pegou o limão e colocou em todos os pedaços de peixe que restavam e comeu mais um pouco. Nessa hora eu disse: “limpa a mãozinha porque limão mancha no sol, tá?” Ela comeu mais um pouco, pediu para embrulhar o que sobrou no guardanapo para levar, disse “obrigada, tia” e foi embora. Pedi a conta e fui embora também feliz da vida em tempo de pegar o Hortiffrutti aberto em Botafogo, tomar um suco de morango com laranja e fazer as compras da semana.





Pergunta inusitada

27 09 2009

“Camila, por que você só toma guaraná zero com laranja e pouco gelo na rua e coca-cola light em casa”, peguntou minha irmã durante o almoço de sábado no Emporium Pax. Hein?!





O que acontece entre as insônias

27 09 2009

Quando é impossível vencer a insônia, junte-se a ela. Mas não se esqueça do corretivo no dia seguinte. Na quarta-feira mencionada no post abaixo, o dia foi agitado como previsto. Em uma das reuniões, recebi uma missão simplérrima: reunir cerca de 20 pessoas de todas as áreas da empresa para que elas validassem juntas o projeto sem deixar que mudassem tudo. Você acredita em consenso? Mas em Murph certamente acredita. Às 18h15 eu soube que a sala reservada, única onde caberia todo mundo, seria usada por um diretor. Vocês me imaginariam após uma noite de insônia e um dia agitado dizendo para a recepcionista não se estressar, porque no final tudo dá certo? Pois foi o que eu disse. Até o dia seguinte muita coisa poderia acontecer…

Cheguei pela primeira vez em semanas em tempo para a minha aula de espanhol. E o professor nada de chegar… Fiquei preenchendo os formulários para obtenção de visto na minha mesa (em algum momento eu deveria dar atenção a este assunto) e recebi um sms: ”Ainda devo te esperar?”. Ele estava há 1h na sala de reunião me esperando e ninguém me avisou. Conversamos por 10 minutos em português e eu disse a ele que foi até bom não termos tido a aula, porque ele estava megagripado, com febre, e era melhor descansar. Voltei para minha mesa e comecei a preparar a apresentação para a reunião. Demorei mais do que o previsto e tive que cancelar a aula de inglês pela segunda vez consecutiva, mas ainda planejava ir à academia quando saísse da empresa.

Bem, tocou o telefone. Era o músico gatinho (com o fuso horário inverso ao meu) me convidando pra sair. Pedi que me ligasse às 21h30, pois eu ainda estava na empresa, esgotada e que deveria acordar cedo para uma reunião difícil no dia seguinte etc e tal. Me ligou de novo no horário marcado e insistiu. Então pensei: não vou mesmo conseguir dormir, melhor ficar acordada em boa companhia e aceitei. Terminei a apresentação às 22h e fui direto do trabalho encontrá-lo. Eu, de roupa social e óculos; ele, de tênis e guitarra a tiracolo. Achei que ele fosse, como das outras vezes, me tirar da rotina, me fazer relaxar… Mas começou a me perguntar sobre MBA, dizendo que queria fazer um, pedindo dicas… Pra quê um historiador e músico quer fazer um MBA?? Será que ele  não sabe que eu gosto da espontaneidade e da leveza dele? Demos choque e o pior é que ele, o músico livre e avesso a compromissos começou a querer discutir a “relação”… Eu mereço… Péssima idéia “aproveitar” a insônia… No dia seguinte, deu tudo certo com a reunião difícil e com as outras e consegui me atrasar somente 1h para o curso de alinhamento energético, que acabou às 23h. Foi estranho e delicioso perceber que já consigo utilizar meu sexto sentido para a cura. Cheguei em casa e ainda fui procurar documentos exigidos pela embaixada e meu cansaço venceu a insônia. Devo ter dormido umas 5 horas essa noite.YES!!!!

A sexta-feira parecia ser tranquila, com 3 reuniões para analisar propostas de agências para a campanha de comunicação. Resultado: comi no dia duas bananas e um suco de caixinhas (que peguei em casa quando fugi do trabalho na hora do almoço para revirar as gavetas tentando encontrar um contrato antigo) e saí às 22h da empresa resolvendo imprevistos inadiáveis do projeto. Às 2h estava pronta e linda para ir à Festa Brazooca na Casa da Matriz com duas amigas. Duas caipirinhas seguidas para relaxar, um brinde à insônia e ao final de semana que começava. A noite foi duplamente ótima! rs





Momento insônia

23 09 2009

Lá pelas 3h3o, ou seja, minutos atrás deste início de quarta-feira repleta de reuniões de trabalho, aula de espanhol, aula de inglês, solução de documentos/pendências pessoais e academia ao final do dia, virei para a minha irmã aqui ao meu lado no sofá de casa e disse: “Carol, você é louca! O que está fazendo acordada até essa hora?” Ela: “Estou finalizando algumas questões de trabalho e vendo e-mails pessoais e você?” Eu: “Estou conversando no msn com o amigo de um ex-namorado sobre física quântica e espiritualidade”. Ela: “ah, tá……”





Qualquer quinquilharia: R$ 2. Esbarrar com um ambulante inteligente: não tem preço.

18 09 2009

Sabe aqueles carinhas que entram no ônibus pedindo desculpas por “estar incomodando o silêncio de sua viagem” e que podiam “estar robano, matano”, mas que estão vendendo 5 paçocas ou 3 canetas ou 1 ralador de legumes por apenas 1 real? Ah, você não sabe porque não anda de ônibus? Pois bem,hoje pela manhã cruzei com um desses no 410 indo para o trabalho. Eis que o discurso do ambulante ficou mais interessante que a vista do Pão de Açúcar e fiquei observando ansiosa para saber aonde ele ia chegar. Ele estava fazendo uma análise da conjuntura socioeconômica do país, citando termos como PIB e, claro, sua respectiva tradução, mencionando que o país encontra-se na base do ranking das nações que investem em educação. Disse ainda que a China e a Finlândia encabeçam a lista, investindo xis por cento em educação e que os baixos resultados do ENEM (sigla também devidamente traduzida) no Brasil são reflexo de uma educação precária e enumerou as principais consequências disso. Gente, ele citou números e dados que sou incapaz de me lembrar para repetir e explicou tudo com uma retórica impecável. Eu já estava quase aplaudindo-o de pé, quando ele disse: “pensando nisso, eu trago hoje para vocês a cartilha da Nova Reforma da Língua Portuguesa”. Não satisfeito, ele citou algumas das principais regras que mudam com a reforma e concluiu com: “já temos uma cliente interessada aqui na frente”. Era eu com dois reais em punho, sorrisão de orelha a orelha dando os parabéns para ele.Compraria qualquer coisa que ele estivesse vendendo.Cheguei no trabalho empolgada contando e citei o exemplo que ele deu de que voo não tem mais acento e uma colega disse:”ah é? Não tem mais acento em vôo não?” Deixei a cartilha lá por cima da minha mesa…