Acordei neste domingo com vontade de ver este sol lindo que resolveu aparecer. Pensei em ir comer as Iscas em Revista (peixe com molho de mostarda e mel) do quiosque Copacabana, perto do Posto 4. Não iria mesmo tomar sol, nem mergulhar nesse mar agitado e gelado do Rio… Saí ensoladara de biquini amarelo de fitinha rosa-choque, vestidinho amarelo, bolsa de pano beterraba, óculos escuros, havaianas douradas, rabo de cavalo e pausa na farmácia para comprar o filtro solar (Helioblock 40 da La Roche Posay – recomendo!) que acabou.
Peguei o metrô e me lembrei logo por que ir à praia em Copacabana me irrita. Comprei uma revista na banca de jornal e andei pelo famoso calçadão procurando o tal quiosque. Durante a 1 hora que permaneci na praia (digo, no calçadão)…
… idosos aglomeravam-se em frente às barraquinhas montadas pela Defesa Civil em campanha anti-queda pensada especialmente para eles. Um senhor de braço engessado cantava animadamente e duas velhinhas sambavam…
… bombeiros e policiais militares reivindicavam melhores salários numa manifestação gigante com direito a faixas e trio elétrico. “Você arriscaria sua vida ganhando R$ 900?”…
… bolivianos tocavam sua música típica de um lado e terapeutas faziam massagem relaxante do outro…
… um casal de estrangeiros tirou foto em frente a uma escultura de areia e se surpreendeu quando o artista veio cobrar…
… um grupo de pagode veio tocar próximo à minha mesa no quiosque e me pediu dinheiro em inglês…
… recebi uma cantada em carioquês andando no calçadão (uau! voltei a receber cantada de biquini rsrs)…
… descobri na revista que existe um spray para inibir a vontade de comer doce…
… um helicóptero resgatou uma pessoa que se afogava no mar…
… uma menina me disse que estava com fome e pediu para pegar uma isca de peixe minutos depois de eu ter olhado com pesar metade da deliciosa porção intocada na travessa.
Esta última cena, sem dúvida, foi melhor do que a cantada. Disse a ela: “pode comer à vontade. Já estou satisfeita. Coloque o molhinho que fica ótimo.” Ela pegou um pedaço meio tímida, comeu mais um, mais outro (enquanto eu lia a revista) , depois já passou no molho e gostou, pegou o potinho de molho e raspou até o fim, depois pegou o limão e colocou em todos os pedaços de peixe que restavam e comeu mais um pouco. Nessa hora eu disse: “limpa a mãozinha porque limão mancha no sol, tá?” Ela comeu mais um pouco, pediu para embrulhar o que sobrou no guardanapo para levar, disse “obrigada, tia” e foi embora. Pedi a conta e fui embora também feliz da vida em tempo de pegar o Hortiffrutti aberto em Botafogo, tomar um suco de morango com laranja e fazer as compras da semana.